segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Kart Indoor! Amador ou profissional?

Alguns cientistas se orgulham de saber, que nunca viverão para olhar seus projetos terminados. Eles sabem que alguns projetos levam décadas, séculos para serem concluídos. É assim até hoje com o sonho de levar o homem ao planeta vermelho. O fato é que muito se fala no assunto que iniciou moda após o final da segunda guerra mundial. Barack Obama afirmou no ano passado um prazo final até 2035 e disse que injetaria 6 bilhões de dólares nos programas espaciais da NASA para levar o homem a Marte.

Se ninguém entendeu o primeiro parágrafo e o que cientistas, Barack Obama, NASA e Marte tem haver com kart, vamos tentar iniciar novamente.

Desde que sentei em um kart, para disputar um campeonato no início de 2008, pensei em não pagar para praticar o esporte que acabava de me apaixonar. É amador, mas é esporte. Se é assim: Porque não transformar os grupos de kart em ligas profissionais? Porque não remunerar os pilotos das diversas categorias? Porque não atrair investidores para um esporte que leva um público muito maior que outras competições ricas?

Alguém já assistiu um regata? É, aqueles barquinhos lá na PQP, que parecem um amontoado de gaivotas, quando se olha de longe. Aliás, alguém olha de perto? Claro que não. Só se vc estiver em um jet-ski. Fala sério! Os caras tem patrocínio de tudo que é lado. Fabricantes de celular, operadoras de telefonia e bancos fazem questão de exibir suas marcas nas velas. QUE NINGUÉM VÊ!!! Ahhhh é grande. É nada. De onde vc tem acesso? Da beira de uma lagoa, ou da areia de uma praia? Vc não enxerga nada. Posso garantir, e eu nunca vi ninguém assistindo esse treco. Porque esses caras tem patrocínio e nós não?

Movimentos muito bem organizados chamam atenção em São Paulo. Exemplo claro são os campeonatos da AMIKA. Miguel Cappuccio e sua CIA fazem acontecer nos campeonatos regulares e nos badalados e prestigiados Torneios de Verão e Brasileiro. Este último considero uma grande vitória da AMIKA, já que a dois anos conseguiram a chancela da CBA e puderam colocar de lado a palavra FESTIVAL e inserir CAMPEONATO no nome do evento.

Mas ainda falta algo mais. É bom, organizado, mas não é o modelo que sonho. No Rio de Janeiro surge o KART GP. Fundado por Filipe Jorge e Felipe Piatigorsky e hoje contando com a minha humilde ajuda na organização, está criando um modelo diferenciado de gestão. Com o pagamento adiantado das baterias via boleto bancário, troféus de primeira linha e camisas para os pilotos, que não são feitas para suar andando de kart. Um linha esportiva para poder passear e até levar a namorada(o) ao cinema sem que ela reclame do cheiro de óleo.


Bem, depois de todo mundo me chamar de maluco e quererem me apedrejar em praça pública, (alguns tem vergonha alheia e já até pararam de ler o texto) chego no Q da questão. Dois sócios apaixonados por kart, fundaram uma empresa. Esta nada tem haver com automobilismo. Trata-se de um ecommerce de perfumes importados, que chegará ao Brasil em Agosto e aos poucos vai colocando seu nome na mídia digital. Esses caras resolveram expor sua marca e decidiram fazer isso começando pelo kart indoor. Eu e Daniel Barberini fomos chamados para integrar uma das duas equipes ao lado de Guilherme Rocha, o Guiga, no 2o endurance Tijukart, realizado no Point Kart Indoor. Fizemos dobradinha, chegando na primeira posição o time formado por Humberto Rubin, Versolírio Jr e Giovanni Filho! Neste momento realizei parte do meu sonho e posso dizer que mesmo em segundo lugar, fiquei muito feliz, pois pela primeira vez, não paguei absolutamente nada para participar de um evento de kart indoor. PARABÉNS aos empresários!

Ainda citando a mesma empreitada, anteriormente a empresa patrocinou uma equipe no 1o Tijukart sagrando-se vencedores e nas 250 milhas do Rio de Janeiro, disputadas em Volta Redonda, ficaram em quarto.

Na ajuda para evolução deste projeto de profissionalização, eu lhes apresento a LANZZO. Um ecommerce de perfumes importados, que se instalou no Brasil, lançará sua marca em agosto e que os sócios são apaixonados por automobilismo.

Eventos de kart indoor normalmente levam de 60 a 120 pessoas à um kartódromo, com a permanência no local de aproximadamente 4horas em média. Atrai muitos curiosos, inclusive bate-bates como são chamados o público que não participa de grupos fechados como o KartRiders, BV, RKC, F46, XKART entre tantos outros. Esses caras que as vezes já andaram de kart indoor e estão passsando pelos estacionamentos de shoppings e super-mercados, simplesmente ficam embasbacados ao verem seus tempos de volta serem dizimados por pilotos de verdade.

Pilotos que não nasceram em berço de ouro e que adorariam um dia chegar a uma categoria superior, mas que na atual circunstância, se contentariam em não pagar para praticar o esporte que amam, e que são muito hábeis a faze-lo. Agora imaginem receberem para fazerem aquilo que tanto gostam. Ligas profissionais mantendo pilotos com salários e com um monte de bate-bates em fila de espera para fazer uma peneira.

É um sonho? Pode ser. Mas se um dia isso vier a acontecer, posso me orgulhar de ser o primeiro louco a colocar a cara para fora e sonhar com a profissionalização do kart indoor. Poder dizer que: "Eu plantei a semente deste sonho". Sonho? Diria que hoje já é um projeto. Que talvez leve décadas, talvez séculos para ser finalizado. Assim como o sonho do homem chegar a Marte. A diferença é que não tenho 6 bilhões de dólares!

Obrigado LANZZO por esta oportunidade.

Rumo ao campeonato de endurances da Granja Viana e para as 500 milhas de indoor.

Até as pistas!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

250 Milhas do Rio de Janeiro - Kartódromo Internacional de Volta Redonda - 18/12/2010

Na traaave!!! Está foi a frase que Eu e Barberini não queríamos mais ouvir, falar ou pensar. Duas coisas foram constantes no ano de 2010. Todos os organizadores escreveram o nome de nossa equipe errado e tudo que disputávamos, chegávamos em segundo.

Eu penso no kart, Eu sou o kart, Eu penso em kart e vários outros nomes absurdos. Será que é difícil escrever: EU PENSO KART? Bem, nomes a parte, o que se via era o quase na pista.

Adoramos correr endurances, Daniel tem a mesma opinião que a minha. Nos endurances vc elimina muito do fator sorte, pelo fato de ter que andar em vários karts diferentes e também pelo ponto de vista da estratégia.

Nossa saga começou no primeiro endurance de 4t de Volta Redonda. Após 2 horas de corrida e sem troca de kart, segundo lugar à poucos segundos da equipe vencedora.

Fomos para a Granja Viana! Disputamos o campeonato regular de endurances. 5 horas cada corrida. Estes acompanhado do quase papai Rafael Henning. Figura tranquila, gente fina e excelente piloto, Henning sempre nos deu apoio, além de nos brindar com aulas na pista. Uma primeira etapa para aprender o que realmente é um endurance. Trocas, estratégias e ser constante na pista. Já na segunda etapa, mais um vice-lugar. Na terceira com chances apenas matemáticas, poupamos dinheiro e não participamos.

Ainda na Granja e com a experiência do campeonato de endurances fomos para as 500 milhas. Montamos duas equipes e dividimos em 7 pilotos. Eram eles: André Addison, Felipe Piatigorsky, Guilherme Rocha (GUIGA), Humberto Rubin, ele… Rafael Henning. Além é claro Eu, Hebert Sampaio e o Arqui, Daniel Barberini. Mais da metade da corrida e uma quebra inesperada. Perdemos 1minuto e 5seg e chegamos em segundo lugar no final de 12 horas, 53 seg atrás dos líderes. O que era para ser comemorado, virou frustração. Mais um vice campeonato!

Eu e Barberini também corremos campeonatos individuais. Por um acaso corremos em dois juntos. Kart Riders e Kart GP. Adivinhem! Daniel em segundo lugar no geral no Kart Riders e eu segundo lugar no geral do Kart GP.

Pow Henning, vc precisava me lembra de tudo isso? Tá de sacanagem, né?

Mas 2010 ainda não havia terminado. E eis que surge uma competição organizada por: Poul, The King of the Mountain, Filipe Jorge, o Jotinha e ele, o imbatível, o melhor peso pesado do Brasil, o campeão Brasileiro de 2010, Jotalhão, Tiago Amorim.

Esses três caras, por puro amor ao esporte, resolveram fazer uma “festa” de fim de ano para o kart indoor do Rio de Janeiro e criaram as 250 milhas. Estas foram disputadas no kartódromo internacional de Volta Redonda.

Nos mesmos moldes das 5h da Granja Viana, mas com uma hora mais, o evento só podia ser um sucesso. E falou em Endurance, eu e Barberini estávamos lá. Prontos para mais uma competição. Vice nem pensar. Queríamos e precisávamos colocar a síndrome de lado. Antes que ficasse estigmatizado.

Acorda cedo, pé na Estrada, café no alemão. Ritual básico para ir a VR. Galera já na pista quando chegamos. De longe reconheci o capacete de Rodrigo Faulhaber e seus braços esticados ao volante. Jotalhão organizando os pits, pontos de parada para troca de kart e Jotinha distribuindo autógrafos. Figuraça!!!

Um briefing enrolado antecedeu a prova, muitas perguntas toscas nos davam a impressão do amadorismo. É, eu sei que é kart indoor, kart Amador, tudo igual, mas no meio daquela galera ali, não se esperava tantos bate-bates!

Pro warm-up as equipes tinham o kart sorteado e podiam treinar com ele até o fim e já esperar o início da classificação, ou ficar trocando de kart até achar um bom.

Acha um kart bom? Acha! Quem sentou em um, não levantou mais. Dos 25 karts na pista, não aparecíamos nem na TV com os resultados. Esta exibia os 18 melhores tempos. Trocamos de kart várias vezes e não achamos nada de bom. No final, trocamos uma última vez, mas não conseguimos dar uma volta rápida. Seria aquele pro qualifing e seja o que tudo puder!

Fui pra classificação desanimado e já pensávamos em mudar a estratégia, mas para a minha surpresa, consegui fazer um classificação melhor do que imaginava e largo em 11o. Largada Le Mans (um barato a parte), e estão valendo 6h de corrida.

Certamente não vou lembrar de todas as trocas, todas as ultrapassagens, de todos os lances, mas algumas coisas são muito claras. Meu kart era um lixo e não sabia como tinha aparecido em 11o. Ganhei algumas posições na largada, mas aos poucos fui perdendo novamente. Neste primeiro stint, lembro claramente do Paulista, que estava voando, líder naquele momento, se aproximando de mim na reta oposta para me dar uma volta. Saber o que é ser líder é outra história. Abri sem problemas nenhum no final do miolo e o imundo agradeceu (para quem não sabe, imundo é o apelido do Paulista).

Momento tenso. Plaquinha da SKOL, hora de lever o rolimã pro pit. Arqui preparado, entrego placa e sensor para o Couto. Malhado ágil e rápido como um lince entrega tudo pra Barberini. SORTEIA!!!!!!! Liga, liga, liga!!!! Vai, vai, vai!!!!!

E como num passe de mágica, quando todas as equipes terminam a primeira troca saímos de um incomodo 14o lugar para 4o. Excelente! Temos uma corrida de kart!

Barberini está rápido, mas rápido que os da frente e tomando 1seg por volta da outra equipe Eu Penso Kart, que contava com Sabra, Ricardo Mascarenhas, o Filé e José Gabizo, o Risole! Gabizo estava em um foguete de 58s. Apelido dado aos canhas naquele momento na pista. Só ele virava na casa de 58. Absurdo. Uma usina como diria Tubino!

Estamos perto de fazer nossa segunda troca. E mais um momento tenso. Bandeira vermelha.

Para nossa equipe, naquele momento foi muito bom. Apesar de uma volta atrás do líder, estávamos com o segundo e terceiro colocados, imediatamente a nossa frente. Como éramos mais rápidos que todos. Era questão de tempo.

A direção de prova, resolve diminuir para 9 o número de paradas obrigatórias e os tempos de quem estava na pista (um piloto só podia ficar no máximo 40minutos por stint) é zerado. Perguntei a todos os organizadores e ao director de provas várias vezes. Naquele momento toda a estratégia mudava. Deixo Arqui na pista até a gasolina acabar e quando entro, estamos em primeiro lugar.

As trocas vão acontecendo, e nos comunicávamos apenas pelo notepad do meu laptop. Precisávamos e confiávamos um no outro. Só assim iria funcionar. Os sinais para a pista e da pista eram muito poucos. E sempre um acreditando no outro.

O maçarico ligado de top-down, escaldava os miolos dentro do capacete. O sol me lembrava o nordeste em Janeiro, passando mais perto da cabeça, na altura da linha do equador. Mas com aproximadamente metade da corrida, ou seja 3h, o tempo começou a virar, e uma tempestade daquelas de verão se formava no horizonte.

Barberini é um pato na chuva, mas eu não guardo boas recordações do piso molhado. Sinto as primeiras gotas na viseira, mas nada que pudesse estragar a corrida ainda. Arqui entra para mais um stint e nada de chuva. Mais 40 minutos e estou eu na pista novamente. 10 paradas, é parada pra caralho!

Mas dessa eu não escapo e a chuva chega. De mansinho ela anuncia que vai ficar. Ainda somos líderes, temos um caminhão de vantagem naquele momento, mas as equipes que vem em segundo, terceiro e quarto, tem pilotos com histórico de andar muito forte na chuva. Era o estímulo que elas precisavam, para motivar e começar a nos caçar na pista. Ainda faltam 2horas de corrida e a tensão é latente.

Barberini me tira da pista confiando que sera um dos mais rápidos. Deixa anotado no notepad, que eu estava rápido, mas não era constante. Ele vai para pista para simplesmente receber aplausos de quem estava do lado de fora. É um pato? É um tubarão? Não. É o Barberini!! Voando, ou melhor, submergindo!

Além de ser o mais rápido da pista colocava um segundo por volta em todos. E foi na chuva, quando todos acharam que iam ter alguma chance, eu lhes apresento 1 volta de vantagem no segundo colocado. Segura aí, que temos gordura para queimar!

Faltavam duas trocas para fecharmos o Endurance. Tínhamos uma volta de vantagem, mas uma troca a menos. Na teoria, tudo perfeito. Sobrava tempo para essa troca a mais. Mas um bate-bate. Daqueles que citei no início do texto, lá do briefing, lembram? Pois é, no final da reta oposta, após Barberini ultrapassar ele (o imbecil era retardatário) dá um panca na lateral do nosso kart. Barberini entra em desespero. O kart apaga! Motor desligado. Debaixo daquela chuva? Cade fiscal para ligar novamente? Nada. Mas eu estava ligado do lado de fora. Todo arrumado para entrar na pista a qualquer momento. Vejo Barberini correndo em direção ao box. Só deu tempo de pegar o capacete e começar a gritar. Sorteia! Sorteia! Amorim, olha pra mim e fala: -“Sortear o que? Senta nesse daí e vai. É o único!” Arqui me entrega a placa, sensor. Liga o kart e vou para a pista tenso.

Na minha primeira passagem pela reta, é olhar para o nosso QG e fazer sinal para saber se ainda somos os primeiros. Ninguém me responde. Da grade, vejo alguns rostos conhecidos e só vejo sinais de incentivo. As voltas pareciam uma eternidade. Na minha cabeça, sabendo que era rápido, mas não tão rápido quanto Barberini, precisa ficar cerca de 10min na pista e depois bastava mais uma troca para o Arqui entrar e conduzir até a quadriculada.

Mas não foi preciso. Completo mais uma volta. Contorno a Jandira com todo cuidado possível. Olho para a grade como sempre e dou de cara com o diretor de prova agitando a tão sonhada bandeira quadriculada. Como eu sabia que ainda faltava tempo, fiquei mais tenso ainda. Dou mais uma volta “rápida”, não tiro o pé ainda. E se foi um erro da direção de prova? E se meus miolos torraram e eu não vi direito. Sem saber o que estava acontecendo, venho para completar mais uma volta, mas desta vez ao contornar a Jandira, vejo Arqui no meio da pista fazendo sinal para parar, gritando: “ACABOU! É NOSSO! GANHAMOS! NÃO TEM MAIS KART! É CAMPEÃO PORRA!!!!

Tiro o capacete e sem saber como reagir, ainda sentado no kart, dou um abraço no Barbera!!!! Grito algo que não sei escrever, apenas um berro de desabafo. E com o capacete em punho, saio para dar mais uma volta, essa sim de comemoração e pura explosão de alegria. A água e lama na cara. Nada disso importa. Faço o meu carnaval sozinho pela pista. Com apenas uma das mãos, empunhando o capacete com a outra e me divertido com os respingos no meu rosto.

Desço do kart vibrando nos boxes. Faço questão de ir na balança. 4,8 kg acima no peso! Agora é só comemorar. Nada mais tirava o título da gente!!! Logo que saio da balança, vejo Arqui correndo na minha direção. As palavras exatas eu não me lembro, mas não paramos mais de comemorar e elogiar um ao outro. Faziam 5h10min que não nos falávamos! Só queríamos gritar É CAMPEÃO!!!!

Fotos, pódio, trofeús e a lembrança ao Amigo Henning, que desta vez, por quase estar sendo papai, ficou de plantão ao lado da esposa na espera da Clarinha!

Ela que será a mascote da equipe Eu Penso Kart no futuro próximo e o terceiro troféu (eram entregues 3 por cada equipe que foi ao pódio) ficam de presente a vc Henning. Estamos aguardando o seu retorno em breve para corrermos os Endurances novamente.

Um agradecimento especial ao lince malhado, Alexandre Couto. Tu é foda velhinho! A cada troca, sempre lá. Mas para ligar o kart, tem que abrir a gasolina (risos).

Parabéns aos organizadores: Poul, Filipe Jorge e Tiago Amorim. Deram show!

Arqui canta aí:

Ôh ôh ôh ôh ôh ôh ôh VICE É O CARALHO!!!

Até as pistas!